OSVALDO COLAGRANDE

 
    Colagrande -  Caçulinha -  Pedro -  Clara -  Waldir -  Geraldinho -  Altamiro

Alertado pelo Prof. Zé Amaral, que entre outras coisas, é excelente colunista de choro http://mundolusiada.com.br/COLUNAS/ml_coluna_246.htm e prepara com sua equipe um esperado livro sobre o choro de São Paulo, notamos não haver na internet dados biogáficos a respeito do mestre Osvaldo Colagrande. Aí vai, portanto.

 

Nascido em Ipauçú, São Paulo, em 24/09/1930, foi, no entanto, registrado em Cambará, Paraná. De formação autodidata, iniciou sua carreira de músico profissional em 1951, como integrante do Regional de Antonio Bruno (acordeonista) onde participava do programa da Rádio Cultura Calouros Rodini (“acompanhando os calouros, aprendi muito” afirma ele).

 

Em 1955, Esmeraldino Salles o convidou para participar do regional do Siles (*), nas emissoras Tupy e Difusora:

 

“Eu trabalhava em uma gráfica ali perto e na hora do almoço ia assistir os programas de rádio, que na época eram ao vivo e em auditórios. Esmeraldino, que me conhecia como violonista, me avisou para ficar alerta que o Mão de Vaca (Manoel da Conceição) iria em breve deixar o conjunto para trabalhar com a Angela Maria. Eu acabei ficando em seu lugar”.

 

Colagrande nunca mais se separou de seu parceiro, o grande Esmeraldino Salles, criador de um balanço característico na arte do acompanhamento, do qual Colagrande é seu maior representante vivo.

 

E foi logo depois, em 1957, que Esmeraldino ouviu em primeira mão a 1ª parte de um choro que Colagrande acabara de compor, o Novato. Esmeraldino adorou e pediu para colocar uma 2ª parte. Eis aí a gestação do hoje famoso clássico Novato. Colagrande conta também, em sua habitual humildade, que “aquela improvisação escrita, que todo intérprete gosta de repetir, foi feita pelo Esmeraldino”.

 

Osvaldo Colagrande acompanharia nos anos seguintes grandes chorões do Brasil quando em viagem a São Paulo: Pixinguinha, Sivuca, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Jacob do Bandolim; cantores como Orlando Silva, Clara Nunes e Silvio Caldas (este último por 12 longos anos como integrande do Regional do Caçulinha).

 

Em 1971, adotou o violão de 7 cordas. Dino foi sua maior referência, porém, seu estilo não é igual ao do mestre carioca – suas baixarias estão muito ligadas à rítmica do choro paulista, suas frases trazem um balanço impressionante, diferentemente de Dino, clássico por excelência. O mais notável é que, embora sua “pegada” seja facilmente reconhecível pela originalidade, prefere a “levada” violonística dos cariocas, acha-a mais autêntica.


Em 2002, lançou finalmente seu belíssimo e fundamental CD Tributo a Esmeraldino com o Conjunto 1 x 0. http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20030709/cadc_mat_090703_52.htm

 

Hoje, aos 78 anos, mora em seu sítio em Itupeva (interior de São Paulo), com sua eterna companheira, Dª Maria José (casaram-se em 1954). Não pense o leitor que ele se rendeu à aposentadoria. Não, sua vitalidade continua a mesma. Vem de 15 em 15 dias no Bar do Café encontar seus velhos amigos e alguns jovens chorões que o vêem como espelho (**) para uma roda de choro de dar gosto.

 

Bem, e como exemplo de como sua cabeça jamais parou de avançar, mestre Cola nos disponibiliza uma de suas “brincadeiras” caseiras, uma autêntica aula de 7 cordas. Sobre o violão de Baden Powell no samba Falei e Disse (parceria de Baden com Paulo Cesar Pinheiro) ele “montou” baixarias cortantes, bem a seu estilo, forçando-nos a pensar o que Baden não acharia disso! Nenhum exibicionismo, somente categoria, classe, uma jóia (reparar na hexatônica no minuto 1:50). http://rapidshare.com/files/271054130/Baden-Colagrande__montagem__Falei_e_Disse.mp3.html


(*) Grande clarinetista e arranjador, Siles (Wanderley Taffo) gravou álbuns instrumentais soberbos nos anos 50, http://loronix.blogspot.com/2007/07/siles-e-seu-conjunto-samba-society-1958.html além do raríssimo LP Brejeirice, recheado de improvisações do matreiro cavaquinho de Esmeraldino, do acordeon surpreendente de Wandereli Rizzoto e da guitarra de Poly arrebentando.
24/05/2010 - Atualização:
Blog que disponibilizou este LP:

http://vinylmaniac1.blogspot.com/2009/12/siles-syles-e-seu-conjunto-brejeirice.html

 

 

(**) O Bar do Café fica na rua Tagipuru, 176, perto da estação Barra Funda – na foto abaixo, Cola é secundado pelo Prof. de violão clássico, Marco Grabolos (todos os chorões e amantes do gênero estão convidados).

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